FUNDAMENTOS DE EDUCAÇÃO
DE JOVENS E ADULTOS E EDUCAÇÃO PROFISSIONAL
As
Abordagens Propostas na EJA
Uma nova concepção de educação de jovens e de adultos, ganhou-se
significação na Constituição por meio do processo de
redemocratização dos anos 80. Muitos segmentos sociais
identificados com a EJA, abraçaram essa causa, no sentido de reparar
e ampliar a noção de direito ao ensino fundamental extensivo aos
adultos, inserida na Constituição desde 1934. Nesta orientação,
a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) supre a expressão
supletivo, mas, mantêm o termo supletivo para exames, e, em seus
artigos 37 e 38 em vigor dão a EJA uma dignidade própria,
extinguindo a externalidade com relação ao assinado como regular,
conforme o art. 4º VII da LDB, quanto ao dever do ESTADO com a
educação escolar pública será efetivado mediante a garantia de:
… oferta
de educação regular para jovens, com características e modalidades
adequadas às suas necessidades e disponibilidades, garantindo-se aos
que forem trabalhadores as condições de acesso e permanência na
escola.
Ao
se discutir as abordagens curriculares na EJA, deve-se repensar a
partir de “[...] um modelo pedagógico próprio a fim de
criar situações pedagógicas e satisfazer necessidades de
aprendizagem de jovens e adultos” (BRASIL, 2000), estabelecido
conforme o Parecer 11/2000 do Conselho Nacional de Educação, bem
como, corrobora Antonio H. Pinto em “Desafios na Construção do
Currículo do Proeja” e, nessa visão, o Documento Base “aponta
a perspectiva de um refazer pedagógico no interior da escola a
partir de uma organização que considere os espaços-tempos
adequados a realidade de estudantes que trabalham, são donas de
casa, chefes de família, jovens em situação de risco na
comunidade, etc”. Embora a flexibilidade
seja uma característica atribuída à Educação de Jovens e
Adultos, percebe-se que na prática, essa regra não é obedecida,
pois a maioria dos cursos ofertados, seguem uma lógica padrão dos
cursos seriados, enturmação, horários rígidos, dinâmicas de
ensino predominantemente frontais e intraclasse. Muitos municípios
tem oportunizado a Educação de Jovens e Adultos, sendo Aracruz não
diferente dos demais, no entanto, tal modalidade tem sido usada como
uma aceleração do tempo curricular, ou seja, um aligeiramento,
desfocado das especificidades da EJA, sem contextualização dos
currículos e metodologias de ensino, distintos às características
desse público, que possuem múltiplas necessidades de aprendizagem,
como determina o Documento Base.
É preciso considerar o
currículo enquanto processo de seleção e de produção de saberes,
de visões de mundo, de valores, de experiências, de habilidade, de
símbolos e significados. Pois, “o Homem é ser histórico-social
que age sobre a natureza para satisfazer as suas necessidades e,
nessa ação produz conhecimento” (RAMOS, 2005, p. 114) . Nesse
sentido, as abordagens embasadas na perspectiva de complexo temático,
como bem descrita no Documento Base que apresenta concentricidade de
temas gerais, ligados entre si; integradores; transversais e
permanentes, privilegiam o educando da EJA, com temas que focam os
conteúdos mínimos a serem estudados, garantam um aprofundamento
progressivo ao longo do curso, ampliam os conhecimentos do aluno, com
foco em cada área do conhecimento, principalmente, que possibilitem
compreender o contexto em que os alunos vivem e etc.
Outra metodologia
refere-se a abordagem por meio de esquemas conceituais onde cada
conceito é desenvolvido em diversos contextos e enriquecido pelas
diversas contextualizações, de modo a focar os conceitos amplos, se
adotada, contribui para o respeito a diversidade de culturas, saberes
e cria um elo entre o homem e a ciência. Quanto a abordagem centrada
na resolução de problemas são significativas, e torna-se relevante
numa perspectiva que, para cada problema existe uma solução, a
partir de uma disciplina que forneça dados e fatos que vise a sua
interpretação. Para alcançar esse objetivo proposto é necessário
que o professor de EJA tenha perfil e habilidades para atuar diante
um público que apresenta tantos aspectos singulares, paralelamente,
a abordagem mediada por dilemas reais vividos pela sociedade que
permite questionamentos quanto a conveniência de determinadas
decisões políticas ou programáticas e, também subsidia o
professor junto ao aluno, quanto aos dados e fatos para a
interpretação visando à discussão dos dilemas propostos, tal
disciplina permite a ampliação dos envolvidos no processo, a
reconhecer a heterogeneidade dos alunos da EJA quanto a sua faixa
etária, sua história de vida, relativa a sua luta pela
sobrevivência e causalidade do abandono da escola quando ainda
adolescente ou início da sua juventude. É na
abordagem por área de conhecimento que se deve valorizar o
aluno na sua integralidade, preparando-o para o mercado de trabalho.
Portanto, se tais
abordagens aqui discutidas, se “consideradas” na modalidade da
EJA, dentro da perspectiva do Documento Base, estaríamos respeitando
as especificidades das condições dos sujeitos envolvidos na Educação
de Jovens e Adultos, desde que tenham em sua estrutura curricular
foco na experiência do aluno na sua construção de conhecimento,
onde os conteúdos estabeleçam conexões com a sua realidade,
tornando-os mais participativos, autônomos, criativos e
principalmente, que visem capacitação e formação profissional.
SONIA NUNES SOUZA MENDES
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