domingo, 8 de dezembro de 2013

AS ABORDAGENS PROPOSTAS NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS

FUNDAMENTOS DE EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS E EDUCAÇÃO PROFISSIONAL


 As Abordagens Propostas na EJA

Uma nova concepção de educação de jovens e de adultos, ganhou-se significação na Constituição por meio do processo de redemocratização dos anos 80. Muitos segmentos sociais identificados com a EJA, abraçaram essa causa, no sentido de reparar e ampliar a noção de direito ao ensino fundamental extensivo aos adultos, inserida na Constituição desde 1934. Nesta orientação, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) supre a expressão supletivo, mas, mantêm o termo supletivo para exames, e, em seus artigos 37 e 38 em vigor dão a EJA uma dignidade própria, extinguindo a externalidade com relação ao assinado como regular, conforme o art. 4º VII da LDB, quanto ao dever do ESTADO com a educação escolar pública será efetivado mediante a garantia de:

oferta de educação regular para jovens, com características e modalidades adequadas às suas necessidades e disponibilidades, garantindo-se aos que forem trabalhadores as condições de acesso e permanência na escola.

Ao se discutir as abordagens curriculares na EJA, deve-se repensar a partir de “[...] um modelo pedagógico próprio a fim de criar situações pedagógicas e satisfazer necessidades de aprendizagem de jovens e adultos” (BRASIL, 2000), estabelecido conforme o Parecer 11/2000 do Conselho Nacional de Educação, bem como, corrobora Antonio H. Pinto em “Desafios na Construção do Currículo do Proeja” e, nessa visão, o Documento Base “aponta a perspectiva de um refazer pedagógico no interior da escola a partir de uma organização que considere os espaços-tempos adequados a realidade de estudantes que trabalham, são donas de casa, chefes de família, jovens em situação de risco na comunidade, etc”. Embora a flexibilidade seja uma característica atribuída à Educação de Jovens e Adultos, percebe-se que na prática, essa regra não é obedecida, pois a maioria dos cursos ofertados, seguem uma lógica padrão dos cursos seriados, enturmação, horários rígidos, dinâmicas de ensino predominantemente frontais e intraclasse. Muitos municípios tem oportunizado a Educação de Jovens e Adultos, sendo Aracruz não diferente dos demais, no entanto, tal modalidade tem sido usada como uma aceleração do tempo curricular, ou seja, um aligeiramento, desfocado das especificidades da EJA, sem contextualização dos currículos e metodologias de ensino, distintos às características desse público, que possuem múltiplas necessidades de aprendizagem, como determina o Documento Base.

É preciso considerar o currículo enquanto processo de seleção e de produção de saberes, de visões de mundo, de valores, de experiências, de habilidade, de símbolos e significados. Pois, “o Homem é ser histórico-social que age sobre a natureza para satisfazer as suas necessidades e, nessa ação produz conhecimento” (RAMOS, 2005, p. 114) . Nesse sentido, as abordagens embasadas na perspectiva de complexo temático, como bem descrita no Documento Base que apresenta concentricidade de temas gerais, ligados entre si; integradores; transversais e permanentes, privilegiam o educando da EJA, com temas que focam os conteúdos mínimos a serem estudados, garantam um aprofundamento progressivo ao longo do curso, ampliam os conhecimentos do aluno, com foco em cada área do conhecimento, principalmente, que possibilitem compreender o contexto em que os alunos vivem e etc.

Outra metodologia refere-se a abordagem por meio de esquemas conceituais onde cada conceito é desenvolvido em diversos contextos e enriquecido pelas diversas contextualizações, de modo a focar os conceitos amplos, se adotada, contribui para o respeito a diversidade de culturas, saberes e cria um elo entre o homem e a ciência. Quanto a abordagem centrada na resolução de problemas são significativas, e torna-se relevante numa perspectiva que, para cada problema existe uma solução, a partir de uma disciplina que forneça dados e fatos que vise a sua interpretação. Para alcançar esse objetivo proposto é necessário que o professor de EJA tenha perfil e habilidades para atuar diante um público que apresenta tantos aspectos singulares, paralelamente, a abordagem mediada por dilemas reais vividos pela sociedade que permite questionamentos quanto a conveniência de determinadas decisões políticas ou programáticas e, também subsidia o professor junto ao aluno, quanto aos dados e fatos para a interpretação visando à discussão dos dilemas propostos, tal disciplina permite a ampliação dos envolvidos no processo, a reconhecer a heterogeneidade dos alunos da EJA quanto a sua faixa etária, sua história de vida, relativa a sua luta pela sobrevivência e causalidade do abandono da escola quando ainda adolescente ou início da sua juventude. É na abordagem por área de conhecimento que se deve valorizar o aluno na sua integralidade, preparando-o para o mercado de trabalho.


Portanto, se tais abordagens aqui discutidas, se “consideradas” na modalidade da EJA, dentro da perspectiva do Documento Base, estaríamos respeitando as especificidades das condições dos sujeitos envolvidos na Educação de Jovens e Adultos, desde que tenham em sua estrutura curricular foco na experiência do aluno na sua construção de conhecimento, onde os conteúdos estabeleçam conexões com a sua realidade, tornando-os mais participativos, autônomos, criativos e principalmente, que visem capacitação e formação profissional.

SONIA NUNES SOUZA MENDES

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